O que é o Design?

Num mundo em mudança permanente, o designer é chamado a antecipar problemas, definir estratégias, gerar oportunidades e liderar projectos multidisciplinares. Essa circunstância de ter que interagir com os diferentes intervenientes no processo coloca-o numa posição ideal dentro das empresas ou instituições para conduzir e articular processos de mudança.

O designer exerce uma actividade projectual – que incorpora e produz inovação – destinada a estabelecer as qualidades formais e funcionais de objectos, espaços, processos, serviços, sistemas e mensagens, tendo em conta a sua interacção com o homem e considerando um ciclo de vida completo – da produção à utilização e eventual extinção.

O designer, ao estabelecer as relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e económicas, procura:
a) considerar os utilizadores finais e demais protagonistas do mercado, no contexto da sustentabilidade global e protecção do ambiente;
b) estimular a diversidade cultural;
c) dotar os produtos, serviços e sistemas de formas e conteúdos que sejam exemplificativos da sua própria complexidade.
O designer exerce uma actividade crítica de âmbito intelectual que abrange um largo espectro de áreas de intervenção (e dentro delas várias especializações) que incluem: projectar objectos, espaços, vestuário, comunicação e, de forma genérica, colaborar na gestão de programas tendentes à definição e concretização de estratégias de desenvolvimento.
As especializações têm vindo a acompanhar a evolução do mercado e das tecnologias, pelo que têm tendência a multiplicar-se. É o caso do web design, da sinalética ou do design de moldes, só para dar alguns exemplos.
No exercício da sua actividade, são atribuídas ao designer as seguintes competências:
a) Analisar as condicionantes existentes (orçamentais; de prazos; da natureza do problema e dos intervenientes na sua resolução; da concorrência e mercados; da legislação aplicável; dos recursos e meios de produção disponíveis) e integrá-las, de modo a definir o quadro da solução.
b) Investigar o que já foi feito; o que se pretende atingir; o público a que se destina, o conteúdo a transmitir.
c) Elaborar um diagnóstico a partir da análise da situação, expô-lo e discuti-lo, apresentando uma proposta de trabalho que inclui os honorários e o cronograma de execução.
d) Mobilizar e coordenar os diferentes membros da equipa, orientando o seu trabalho.
e) Criar relações entre o conteúdo e a forma; entre os objectos e as pessoas; entre a história que contam e a cultura material em que se inserem.
f) Inventar afinidades, descontinuidades, metáforas, formas, discursos, através da experimentação de linguagens visuais e/ou plásticas, dos materiais e das técnicas.
g) Tomar decisões e materializar a solução, codificando-a de forma eficaz e fundamentada, com vista à sua concretização.
h) Avaliar e propor correcções, sempre que existirem possibilidades de executar melhorias nos projectos.

Outras definições

“Uma actividade de resolução de problemas orientada por objectivos”. Archer

“A solução optima para o somatório das verdadeiras necessidades de um determinado conjunto de circunstâncias”. Matchett

“Um método de obtenção de componentes para atingir a melhor solução de um determinado problema”. Eames

“O designer é uma nova espécie de artista, um criador capaz de entender todas as formas de necessidades: não por ser um prodígio, mas porque sabe como abordar as necessidades dos homens de acordo com um método bem definido”.Gropius

“Cada ser humano é um designer. Alguns também ganham a vida através do design – em todos os campos que existem pausa e ponderação entre o conceber e uma acção, a forma a dar aos meios que nos permitem realizá-la é uma estimativa dos seus feitos.” Munari

“É alguma coisa que existe em todas as sociedades, mas diferentemente em cada uma. Para entender este aspecto da sua função no mundo, não é necessário encontrar uma definição concisa e de aplicação universal, mas sim desenvolver a capacidade de observar a riqueza do conceito, de estar atento aos múltiplos aspectos que el epode assumir e de apreciar as várias necessidades humanas que o design pretende servir. É útil conhecer o maior número possível de definições porque, ao longo da História, os homens enalteceram as virtudes e os vícios mais contraditórios, nas sociedades, nos edifícios e em tudo o que produziram.” Baynes
“A experiência de qualquer de nós, no dia-a-dia da vida profissional ou da simples situação de consumidor de bens e serviços, pode permitir-nos enunciar milhares e milhares de “cenários” diferentes em que se revelam casos de carências ou de insatisfação que exigem respostas que nem sempre podem ser obtidas através de cálculo aritmético ou de “receitas” pré-elaboradas…

As intervenções de Design situam-se nestes territórios. As respostas podem ser: projetos-objectos, mensagens, sistemas…

Numa Sociedade Utópica, em que todos os problemas estivessem resolvidos, em que não se observassem quaisquer situações de carência ou de insatisfação… o Design e os Designers não teriam razão de existir! ”

Em “O Lugar do Design”, folheto / manifesto da APD em 1976”

O Designer

“Deve entender-se o designer como um profissional:
a) capaz de intervir no interior da cadeia de produção, conjuntamente com outros técnicos na fase em que é feita a programação, co-responsabilizando-se assim por políticas produtivas, sector a sector, na procura do melhor caminho e não apenas no definir de aspectos finais (quantas vezes apenas formais) de um sistema;
b) capaz de uma acção especializada, face aos pressupostos anteriores, na definição da forma/imagem.

Na lógica do Mercado, o circuito de um objecto tende sempre a reforçar a relação produto/utente, isto é, o serviço para que esse objecto é destinado, tornando-se assim o objecto apenas um veículo e o designer apenas um elo inevitável.

Ora o designer não é um simples delegado do consumidor nem um venerador assalariado do industrial. Ele tem como responsabilidade profissional reforçar os diversos conceitos de valor implícito no próprio objecto (artístico, social, operativo) sabendo que o objectivo é cada vez mais reflexo de uma dominação, imagem veículo de si mesma e, como tal, ideologicamente conservadora.

(…)

O design é, na sua essência, uma prática interdisciplinar.

Ele é uma das chamadas artes do projecto, porque o seu processo criativo se constitui numa série articulada de procedimentos controlados, tendo em vista a dialéctica entre a ideia e a forma, através da produção de um “desenho” que descreve o objecto a construir.
Mas é também inerente ao design o situar-se no cruzamento das artes visuais tradicionais, com as ciências sociais e humanas, os mecanismos do Mercado e as técnicas de reprodução. ”

Excerto de “Os Dias do Design”, em (DI’ZAIN) Boletim da Associação Portuguesa de Designers, autor Aurelindo Ceia, Março de 1995

“A abordagem do designer tem um efeito aglutinador relativamente às outras disciplinas envolvidas, o que conduz a uma perspectiva global do problema, cuja solução sairá certamente valorizada. ”

em “ Design & Designers , Portugal ” Directório 1 da APD por altura da exposição Mundial de Design, Nagoya ’89, onde a APD esteve representada no stand de Portugal.